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Doenças
9 min
Dra. Fernanda Soares

Gastrite e H. pylori: Diagnóstico e Tratamento

Gastrite e H. pylori têm diagnóstico e tratamento específicos. Saiba quais testes confirmam infecção ativa e quando investigar sintomas.

A palavra gastrite costuma ser usada para qualquer dor ou queimação no estômago, mas, em termos médicos, ela significa inflamação da mucosa gástrica. Essa inflamação pode aparecer na endoscopia e ser confirmada por biópsia. Já a sensação de estômago pesado, enjoo, empachamento ou queimação pode ter várias causas, incluindo dispepsia funcional, refluxo, uso de anti-inflamatórios, álcool e infecção por Helicobacter pylori.

O H. pylori é uma bactéria que consegue viver no ambiente ácido do estômago. Ela é comum no mundo todo e, no Brasil, ainda aparece com frequência. Muitas pessoas infectadas não sentem nada, mas a bactéria pode causar gastrite crônica, úlcera no estômago ou no duodeno e, em uma minoria, aumentar o risco de câncer gástrico. Por isso, quando a infecção é confirmada, o tratamento costuma ser recomendado conforme orientação médica.

Também é útil diferenciar resultado de exame de sintoma. Uma endoscopia pode mostrar gastrite leve em alguém com pouca queixa, enquanto outra pessoa pode ter muita queimação e exame sem lesões importantes. A interpretação depende da história clínica, dos achados da endoscopia, das biópsias e da pesquisa correta da bactéria.

Gastrite nem sempre é a mesma coisa

Existem gastrites agudas, que surgem de forma mais rápida, e gastrites crônicas, que podem permanecer por anos. Algumas são leves e assintomáticas; outras vêm acompanhadas de erosões, úlceras ou sangramento. O uso frequente de anti-inflamatórios, por exemplo, pode agredir a proteção natural do estômago. Bebidas alcoólicas em excesso também irritam a mucosa.

Estresse emocional pode piorar a percepção de dor, alterar apetite e aumentar sintomas digestivos, mas não deve ser usado como explicação única sem avaliar outras causas. Já situações de estresse físico intenso, como internações graves, podem causar lesões específicas na mucosa. A consulta ajuda a separar esses cenários e evitar tratamentos inadequados.

Como o H. pylori é diagnosticado?

O IV Consenso Brasileiro sobre H. pylori reforça que o diagnóstico de infecção ativa deve ser feito por testes adequados. Os principais são o teste respiratório com ureia, o antígeno fecal validado e os testes em biópsias obtidas durante a endoscopia. Cada um tem indicações e cuidados de preparo, especialmente em relação ao uso recente de antibióticos, bismuto e medicamentos que reduzem a acidez.

Um ponto importante: o exame de sangue, chamado sorologia, não é recomendado para confirmar infecção ativa nem para saber se o tratamento funcionou. Ele pode permanecer positivo por muito tempo depois do contato com a bactéria, mesmo quando ela já foi eliminada. Isso evita confusões, retratamentos desnecessários e ansiedade.

Papel da endoscopia

A endoscopia digestiva alta permite visualizar esôfago, estômago e duodeno. Ela pode mostrar gastrite, erosões, úlceras, pólipos e outras alterações. Durante o exame, o médico pode coletar biópsias para pesquisar H. pylori e avaliar a mucosa com mais detalhe.

Nem toda pessoa jovem com queimação precisa de endoscopia imediatamente, mas o exame ganha importância quando existem sinais de alarme, sintomas persistentes, idade mais avançada com sintomas novos, histórico familiar de câncer gástrico, anemia, vômitos recorrentes ou suspeita de sangramento. A decisão considera o quadro completo, não apenas um sintoma isolado.

Como é o tratamento do H. pylori?

O tratamento geralmente combina antibióticos com um medicamento que reduz a acidez, como um inibidor da bomba de prótons. Em muitos esquemas usados na prática brasileira, a duração é de cerca de 14 dias, mas a escolha depende de alergias, uso prévio de antibióticos, resistência bacteriana, efeitos adversos e disponibilidade dos medicamentos. Por isso, não é adequado copiar receitas antigas ou usar sobras de antibiótico.

É comum sentir gosto amargo, náusea leve ou alteração intestinal durante a terapia. Mesmo assim, interromper por conta própria reduz a chance de erradicação e favorece resistência. Caso os efeitos sejam intensos, o ideal é falar com o médico para ajustar a orientação com segurança.

Confirmar a erradicação é parte do tratamento

Depois de tratar H. pylori, é necessário confirmar que a bactéria foi erradicada. O consenso brasileiro orienta usar testes de infecção ativa, como teste respiratório com ureia, antígeno fecal validado ou avaliação por biópsia quando houver indicação de nova endoscopia. Em geral, essa confirmação deve ocorrer pelo menos quatro semanas após o término dos antibióticos.

O uso de IBP precisa ser suspenso antes do teste conforme orientação médica, porque pode reduzir temporariamente a quantidade da bactéria e gerar falso negativo. O tempo exato de suspensão e alternativas para controlar sintomas nesse período devem ser combinados em consulta.

Cuidados no dia a dia

  • Evitar anti-inflamatórios sem orientação, especialmente se já houve gastrite ou úlcera
  • Moderar álcool e observar alimentos que pioram sintomas, sem dietas restritivas desnecessárias
  • Fazer refeições em horários mais regulares e mastigar com calma
  • Não iniciar antibióticos para H. pylori sem teste adequado e prescrição individualizada
  • Realizar o teste de controle após o tratamento, mesmo que os sintomas tenham melhorado

Quando procurar o gastroenterologista?

Dor no estômago que se repete, queimação persistente, náuseas frequentes ou histórico de H. pylori merecem avaliação cuidadosa. O objetivo não é assustar, e sim confirmar o diagnóstico, tratar corretamente quando necessário e evitar uso prolongado de remédios sem clareza. Se os sintomas persistem ou se você já tratou H. pylori sem teste de confirmação, uma consulta com gastroenterologista pode organizar os próximos passos.

Sobre a autora: Dra. Fernanda Soares é gastroenterologista e clínica médica (CRM 95911-1-RJ · RQE 47626). Formada em Medicina em 2012, com residência em Clínica Médica e em Gastroenterologia. Atende em Livance, Botafogo, com foco em consultas, endoscopia e colonoscopia — sempre com escuta atenta e cuidado próximo.

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Atendimento em gastroenterologia no Livance, Botafogo — Rio de Janeiro.